Pois é estamos iniciando a história do Roda de Chimarrão, e é um negócio complicado estabelecer o início de uma história de amizade e companheirismo.

Creio que o início foi por volta dos idos do ano da graça de nosso senhor de 1981, ano em que uma gurizada, que já convivia junto fazendo um monte festa e bagunça, começou a passar no vestibular e ir uns para um lado e outros para outro.

 

Daí resultou que este pessoal que vivia mais ou menos junto, mas eram só amigos,  começou a se encontrar nos finais de semana, ora para lavar carros ora para conversar ou organizar alguma coisa para fazer nos sábados à noite.

 

Nestes encontros, começou a surgir o Chimarrão como elemento catalisador da  prosa. E como o chimarrão é um elemento aglutinador, sentávamos inicialmente na calçada da casa do Paulo Machado e, enquanto ele lavava o carro (um corcel) com escova de dente (isso porque passava a tarde toda limpando o carro), alguns amigos ficavam ali mateando e contando mentiras. Muitas acerca do que tinha acontecido durante a semana, tendo em vista que um estava fazendo faculdade aqui, outro lá, outro continuava morando em Rio do Sul, enfim a prosa rolava solta e o Paulo lavando o carro, nossa como demorava.....

 

Coisa de louco......

 

Eu, em 1981 fui embora para Fpolis fazer faculdade, o Paulo já estava cursando engenharia civil em Blumenau (por sinal está cursando até hoje) e em 1982 fomos morar juntos em Blumenau tendo em vista que passei no vestibular para engenharia civil na Furb.

Moramos juntos, dormimos juntos, mas num beliche, ele na parte de baixo e eu na parte de cima. Moramos na casa da Dna Hasta Jensen bem perto da Furb. Uma época muito boa em que nossa maior preocupação era passar em Cálculo e Fisica.

Nos finais de semana vínhamos para casa e nos reuníamos junto com os amigos para um chimarrão, sempre nos sábados a tarde.

Depois, não sei exatamente em que altura do campeonato muda a roda de chimarrão para frente da casa do Milica onde, diga-se de passagem, permanece até hoje. Ali continua havendo os encontros sempre aos sábados a tarde sob o pretexto de tomar um chimarrão. 

 

Mas na realidade ocorrem muitas fofocas (sempre no bom sentido), comentários engrandecedores,  enobrecendo os acontecimentos da cidade. Toma-se uma boa cachaça, que o Milica prepara, com uma receita que passa de Pai para Filho a umas 10 ou 12 gerações. É uma receita de primeira qualidade, serve soltar a palavra e cura desde unha encravada até hemorróidas.

 

Mas depois conto mais sobre a receita.

Durante este período muitas coisas se assucederedam e que merecem destaque, vou enumerar algumas que me lembro e os amigos na medida em que forem lembrando de outros fatos me escrevam contando.

 

E vamos lá:

 

Em 1980, mais precisamente dia 18 de novembro Eu (Cícero) junto com o Paulo sofremos um grave acidente de carro. Creio que o Paulo queria na verdade era acabar comigo. Acho que ele estava de olho na minha namorada.

Tiveram os casamentos, que depois vou enumerar na ordem correta.

Teve a enchente de 1983 e 1984 que foi um verdadeiro desbunde, acabou com a cidade toda.

Depois eu incluo as fotos do trágico episódio.

E assim foi indo, e a Roda de Chimarrão se mantendo, certo é que passou por fases meio negras em que seu final foi assinado e sacramentado. Tudo isso porque alguns indivíduos tiveram pequenos percalços no casamento, e ficaram mais sujos que pau de galinheiro com as esposas. Mas isso é outro fato.

 

Hoje corridos vinte e tantos anos continuam mantendo o costume de se reunir todos os sábados à tarde na frente da casa do Milica.

 

Certo é que muitos já não participam mais, pois a vida reservou caminhos diferentes e não estão mais tão perto de nós. Mas nem por isso menos amigos.

 

Mas o costume permanece.

 

Certo é também que muitas caras novas apareceram, pois a Roda de Chimarrão é sempre  aberta a todos àqueles que, de bem com a vida, estejam dispostos a gastar uma horas cercados de excelente companhia batendo papo e tomando um Chimarrão. Claro que acompanhado daquela pinga. Afinal tem que ter uma maneira de soltar a palavra.

 

A Roda de Chimarrão teve uma evolução muito grande, hoje está iluminada, tem cadeiras muito boas; em quase todos os encontros saí uma comilança, cerveja ...... mas  o chimarrão continua correndo de mão em mão. Antes que me esqueça, tem a pinga também, que não para de circular entre o povaréu.

 

Pois é amigos, e assim a vida segue seu rumo, de gurizada passamos a pais de família e hoje, em alguns momentos, nossos filhos já nos acompanham na Roda de Chimarrão. Que para mim e para os demais é motivo de muito orgulho, pois sentimos que os ensinamentos, preservado pelas tradições, estão sendo eternizados pelas novas gerações.

Quiçá um dia, quando já tivermos partido para o oriente eterno, nossos filhos possam sentar e juntos lembrarem de nós e, com o correr da cuia,  capitulem lembranças.

 

Registre-se que sinto imenso orgulho desta nossa Roda de Chimarrão, pois é um momento de descontração rodeado de amigos de grande gabarito (como sou mentiroso) e se nem o tempo conseguiu ruir sua base é porque está fundamentada em bases sólidas e concretas.

RODA DE CHIMARRÃO

A História de uma longa amizade